O dólar alto está encarecendo a sua importação, e dá pra fazer alguma coisa a respeito?

Direto ao ponto: dá, sim. Você não controla o câmbio, mas controla como a sua operação reage a ele, com simulação de custo antes de fechar o pedido, escolha certa de Incoterm e, quando o volume justificar, travamento da taxa por contrato de câmbio a termo. O resto deste post explica o que está pressionando o dólar agora e como colocar essas três frentes em prática.

O dólar fechou a quinta-feira, 24 de setembro de 2026, cotado a R$ 5,1931, com máxima de R$ 5,2020 no dia, uma alta de cerca de 0,47% frente ao fechamento anterior. Para quem compra do exterior, esse tipo de movimento não é só uma linha no noticiário: é uma variável que entra direto na planilha de custo.

O que está pressionando o dólar agora

Segundo os dados do fechamento de 24/09, o câmbio comercial foi pressionado por uma combinação de fatores externos e internos: alta dos juros dos títulos do Tesouro americano (Treasuries), avanço do preço do petróleo internacional e incertezas domésticas ligadas ao relatório de política monetária e às projeções fiscais do governo brasileiro. A cotação PTAX do Banco Central fechou o dia em R$ 5,1795, e a sexta-feira seguinte já abria próxima de R$ 5,19, sinal de que a pressão não era um movimento isolado de um único pregão.

Esse tipo de cenário, juros altos nos EUA somados a incerteza fiscal no Brasil, tende a manter o dólar em um patamar mais elevado por períodos mais longos, e não apenas em picos pontuais.

Por que isso pesa tanto no custo de quem importa

O câmbio entra na conta do importador em pelo menos três pontos diferentes:

No valor da mercadoria em si. O preço em dólar (ou outra moeda) da fatura comercial é convertido pela taxa do dia do câmbio, então cada centavo de alta se multiplica pelo valor total da compra.

Na base de cálculo dos tributos. Imposto de Importação, IPI, PIS/Cofins-Importação e ICMS incidem, direta ou indiretamente, sobre um valor aduaneiro que já embute a conversão cambial. Um dólar mais caro eleva a base de cálculo inteira, não só o custo do produto.

No spread da operação de câmbio. Além da cotação de mercado, o importador paga um spread ao banco ou à corretora de câmbio na hora de fechar a operação, o que soma mais uma camada de custo sobre a variação cambial em si.

Na prática, isso significa que uma diferença de poucos centavos entre a cotação do dia da cotação do fornecedor e a cotação do dia do fechamento do câmbio pode mudar a margem de um pedido inteiro.

Como estruturar a importação para não ser pego de surpresa

Alguns pontos que costumam fazer diferença real na hora de lidar com a volatilidade cambial:

Simule o custo total antes de fechar o pedido, e não só no orçamento inicial. Uma simulação de custo de importação completa, incluindo tributos, frete, seguro e câmbio, ajuda a enxergar o impacto de diferentes cenários de dólar antes de assumir o compromisso com o fornecedor.

Revise o Incoterm da negociação. A escolha entre FOB, CIF ou DDP muda em que momento da cadeia o risco cambial (e outros riscos) passa a ser do importador, e isso deve entrar na decisão de compra, não só no preço final.

Avalie instrumentos de proteção cambial quando o volume justificar. Para operações recorrentes ou de maior valor, mecanismos como contratos de câmbio a termo (NDF) podem travar uma taxa antes da liquidação, reduzindo a exposição à variação entre o pedido e o pagamento.

Acompanhe os indicadores que costumam antecipar o movimento do câmbio. Decisões de juros do Copom e do Federal Reserve, o preço do petróleo e as projeções fiscais divulgadas pelo governo são bons termômetros de para onde o dólar tende a ir nas semanas seguintes.

O câmbio é uma das variáveis mais voláteis, e mais difíceis de controlar, dentro do custo de uma importação. Mas a exposição a essa volatilidade pode ser reduzida com planejamento: simulação de custo bem-feita, escolha de Incoterm adequada e acompanhamento dos indicadores que movem o dólar. É exatamente nesse ponto que a NR Internacional apoia quem importa: estruturando a operação, simulando cenários de custo antes do pedido ser fechado e ajudando a decidir o momento e a forma mais segura de trazer a mercadoria para o Brasil.